terça-feira, 14 de março de 2017

"Elevemos nossa Moral Revolucionária, combatamos o Individualismo"



Os nossos compatriotas têm o hábito de dizer: os membros do Partido dão o exemplo, a população segue-os. É um elogio sincero aos membros e aos quadros do Partido.

Por ter mantido já 39 anos de uma luta heroica, assegurado o triunfo da Revolução de Agosto assim como a vitória da primeira resistência, e conduzido simultaneamente na hora atual a edificação do socialismo no Norte e a luta patriótica contra a agressão estadunidense, o nosso povo deu-se conta de que a direção de nosso Partido é muito clarividente, que ela conduziu a nossa nação de vitória em vitória a caminho do progresso. Na luta do Partido, como na vida cotidiana, sobretudo nas frentes de combate e da produção, numerosos quadros e militantes mostram-se valentes e exemplares; os primeiros na tarefa e os últimos na honra, eles puderam cumprir um trabalho glorioso.

O nosso Partido formou toda uma geração revolucionária, de moças e de rapazes plenos de entusiasmo e de coragem no cumprimento das suas tarefas.

São flores resplandecentes saídas do heroísmo revolucionário. O nosso povo e o nosso Partido estão orgulhosos destes filhos dignos.

Mas a par destes bons elementos, há ainda quadros e membros do Partido cuja moral deixa a desejar.

Dominados pelo individualismo, em todas as coisas eles pensam, antes de tudo, no seus próprios interesses. A consigna não é “um por todos”, mas “todos por mim”.

Individualistas, eles temem as privações e as dificuldades, caem na avidez, na corrupção, no desperdício, no luxo. Eles correm atrás das honrarias e do lucro, dos títulos e do poder. O seu orgulho faz com que eles não prestem atenção à coletividade; eles desprezam as massas, mostram-se arbitrários e tiranos. Desligando-se das massas e da realidade, eles caem na burocracia e no autoritarismo. Eles perdem o gosto pelo esforço no trabalho e no estudo e não procuram sequer corrigir-se.

Também por causa do seu individualismo, eles provocam a desunião, faltam aos princípios da organização, à disciplina, às suas responsabilidades. Eles não aplicam seriamente a linha e a política do Partido e do Estado, prejudicam os interesses da revolução e do povo.

Em resumo, o individualismo conduz a muitas faltas e erros.

Para tornar os seus quadros e os seus membros dignos de serem combatentes revolucionários, o nosso Partido deve prodigalizar todos os seus esforços para inculcar-lhes o ideal comunista, fazer-lhes compreender e aplicar a sua linha e a sua política, iluminá-los nas suas tarefas e na moral do militante. A crítica e a autocrítica devem ser praticadas seriamente no seio do Partido. É preciso aceitar e encorajar as críticas sinceras feitas pelas massas. A vida da célula deve ser estritamente regulamentada, a disciplina do Partido imparcial e justa, o trabalho de controle, rigoroso.

Cada quadro, cada membro do Partido deve colocar os interesses da revolução, do Partido e do povo acima de tudo e antes de tudo. É preciso combater energicamente o individualismo e elevar a nossa moral revolucionária, cultivar o espírito coletivo, o espírito de união, o respeito pela organização e o sentido da disciplina. Nós devemos seguir de perto a realidade, consultar as massas, respeitar e fazer vingar o direito do povo de ser o dono de seu próprio destino. Devemos esforçarmo-nos por estudar, elevar o nível dos nossos conhecimentos para podermos levar a bom termo todas as nossas tarefas.

Esta é uma forma realista de celebrar o aniversário da fundação do Partido, o grande Partido da nossa classe operária e do nosso povo heroicos. É também um trabalho necessário para ajudar os quadros e os militantes a progredirem, a contribuírem mais eficazmente na luta patriótica contra a agressão estadunidense, e na edificação vitoriosa do socialismo.

Artigo escrito por Ho Chi Minh por ocasião do 39º aniversário do Partido dos Trabalhadores do Vietnã

quarta-feira, 8 de março de 2017

Trabalhar com base na realidade e a comunicação politica

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É muito importante conseguir desenvolver e apresentar projetos de forma que, diversos tipos de público possam ter acesso a ela, e, entende-la.
Na politica, e principalmente nos últimos anos, a direita vem conseguindo fazer isso muito bem, se comparado à esquerda, o embate cultural vem crescendo e o placar do jogo mudando a cada novo passe em falso da esquerda.
Os respectivos discursos da direita não contêm só mentiras á população. Há ''verdades'', mas, apenas uma faceta dela. De qualquer forma, o mais importante, sempre, é como as ideias e propostas são apresentadas e divulgadas para o grande público.
Essa é a grande dificuldade da esquerda atualmente.
Não é só o problema de estar presa a bolha universitária, majoritariamente formada pela classe média. Mas essencialmente porque todo o seu discurso, seus projetos, e primordialmente sua vontade é de continuar restrito, assim como um produto gourmet, ao mesmo público alvo de sempre.
A pouca interação com elementos das periferias é quando estes entram na universidade, mas não são essas poucas pessoas que influenciam as organizações e partidos, pelo contrário, a casta pequeno burguesa permanece inalterada, quem muda são exatamente os novos participantes.
O ''populismo'' da direita e essa nova onda que vem crescendo no mundo representa tanto do ponto de vista econômico, social e cultural, a completa incapacidade da esquerda moderada, e mesmos de seguimentos radicais, em conseguir construir um discurso compatível com os interesses mais imediatos dos trabalhadores e da população precarizada de um modo geral.
Será com base nas condições concretas, contradições e interesses imediatos, que é possível construir um projeto de transformação das estruturas econômicas e sociais do país, e não ao contrário, ou seja; um tipo de mudança cultural e de pensamento que vai alterar o curso da realidade e favorecer um mundo ''menos desigual'' e ''mais justo''.



Frantz Fanon: a cultura nacional

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Frantz Fanon foi um dos mais importantes pensadores da libertação nacional dos países africanos e do mundo
No último dia 20 transcorreu o nonagésimo primeiro aniversário de Frantz Fanon. Nascido na Martinica, Fanon faleceu jovem, aos 36 anos. Mas teve tempo de se tornar um dos mais importantes pensadores da libertação nacional dos países da África – e, a rigor, de todo o mundo. Fez parte dos “franceses livres” durante a II Guerra Mundial, no combate ao nazismo. Psiquiatra, depois de publicar uma candente denúncia do racismo (“Pele Negra, Máscaras Brancas”, de 1952), torna-se chefe de um hospital na Argélia. Quando irrompe a luta pela independência argelina, soma-se à Frente de Libertação Nacional. Expulso pelos franceses da Argélia, em 1957, passa a residir na Tunísia, continuando a luta no exílio. Nessa época, sobrevive a vários atentados organizados pelos colonialistas franceses. Em 1961, alguns meses antes da libertação completa da Argélia, Frantz Fanon faleceu de leucemia. Os trechos que publicamos abaixo são de seu livro mais importante, “Les Damnés de la Terre”, na tradução de José Laurênio de Melo para a editora Civilização Brasileira (“Os Condenados da Terra”), publicada em 1968.
C.L.

Nos países subdesenvolvidos as gerações precedentes ao mesmo tempo resistiram ao trabalho de erosão efetuado pelo colonialismo e prepararam o amadurecimento das lutas atuais. Precisamos perder o hábito, agora que estamos em pleno combate, de minimizar a ação de nossos pais ou de fingir incompreensão diante de seu silêncio ou de sua passividade. Eles se bateram como puderam, com as armas que então possuíam, e se os ecos de sua luta não repercutiram na arena internacional, cumpre ver a razão disso menos na ausência de heroísmo que numa situação internacional fundamentalmente diferente. Foi necessário que mais de um colonizado dissesse “isso não pode continuar”, foi necessário que mais de uma tribo se rebelasse, foi necessário mais de um levante sufocado, mais de uma manifestação reprimida para que pudéssemos hoje erguer a cabeça com esta confiança na vitória.
Quando refletimos nos esforços empregados para provocar a alienação cultural tão característica da época colonial, compreendemos que nada foi feito ao acaso e que o resultado global pretendido pelo domínio colonial era convencer os indígenas de que o colonialismo devia arrancá-los das trevas. O resultado, conscientemente procurado pelo colonialismo, era meter na cabeça dos indígenas que a partida do colono significaria para eles o retorno à barbárie, ao aviltamento, à animalização. No plano do inconsciente, o colonialismo não pretendia ser visto pelo indígena como uma mãe doce e bondosa que protege o filho contra um ambiente hostil, mas sob a forma de uma mãe que a todo momento impede um filho fundamentalmente perverso de se suicidar, de dar livre curso a seus instintos maléficos. A mãe colonial defende o filho contra ele mesmo, contra seu ego, contra sua fisiologia, sua biologia, sua infelicidade ontológica.
O colonialismo não julgou necessário perder tempo em negar umas após outras as culturas das diferentes nações. Por isso a resposta do colonizado será naturalmente continental. Na África, a literatura colonizada dos últimos vinte anos não é uma literatura nacional mas uma literatura de negros. O conceito de negritude, por exemplo, era a antítese afetiva senão lógica desse insulto que o homem branco fazia à humanidade. Essa negritude exacerbada contra o desprezo do branco revelou-se em certos setores apenas capaz de suspender interdições e maldições. Uma vez que se viam confrontados antes de tudo com o ostracismo global, o desprezo sincrético do dominador, os intelectuais guineenses ou quenianos reagiam admirando ou cantando a si mesmos. À afirmação incondicional da cultura europeia sucedeu a afirmação incondicional da cultura africana.
Vimos que os brancos estavam acostumados a por todos os negros no mesmo saco. No decorrer do primeiro congresso da Sociedade Africana de Cultura, realizado em Paris em 1956, os negros americanos espontaneamente refletiram sobre seus problemas no mesmo plano que os dos seus congêneres africanos. Os homens de cultura africanos, ao falar em civilizações africanas, outorgavam um estado civil razoável aos antigos escravos. Mas, pouco a pouco, os negros americanos foram percebendo que os problemas existenciais que se colocavam diante deles não se assemelhavam àqueles com que defrontavam os negros africanos. Os negros de Chicago só se pareciam com os da Nigéria e Tanganica na exata medida em que todos eles se definiam em relação aos brancos. Mas passados os primeiros confrontos, uma vez tranquilizada a subjetividade, os negros americanos perceberam que os problemas objetivos eram fundamentalmente heterogêneos. Assim, durante o segundo congresso da Sociedade Africana de Cultura os negros americanos deliberaram criar uma Sociedade Americana dos homens de cultura negros.
A cultura negra, a cultura negro-africana se fragmentou porque os homens que se propunham encarná-la compreenderam que toda cultura é antes de tudo nacional e que os problemas que mantinham Richard Wright ou Langston Hughes em estado de alerta eram fundamentalmente diferentes daqueles que poderiam desafiar Leopold Senghor ou Jomo Kenyatta.
Bater-se pela cultura nacional é em primeiro lugar bater-se pela libertação da nação, matriz material a partir da qual a cultura se torna possível. Não há um combate cultural que se desenrole ao lado do combate popular. Por exemplo, todos esses homens e todas essas mulheres que lutam com os punhos nus contra o colonialismo francês na Argélia não são estranhos à cultura nacional argelina. A cultura nacional argelina toma corpo e consistência no decurso desses combates, na cadeia, diante da guilhotina, nos quartéis franceses atacados e destruídos.
A cultura nacional não é o folclore onde um populismo abstrato julgou descobrir a verdade do povo. Não é a massa sedimentada de gestos puros, isto é, cada vez menos vinculados à realidade presente do povo. A cultura nacional é o conjunto dos esforços feitos por um povo no plano do pensamento para descrever, justificar e cantar a ação através da qual o povo se constituiu e se manteve. Nos países subdesenvolvidos, a cultura nacional deve portanto situar-se no centro mesmo da luta de libertação empreendida por esses países.
Digo que nenhum discurso, nenhuma proclamação sobre a cultura nos eximirá de nossas tarefas fundamentais, que são a libertação do território nacional, uma luta de todos os instantes contra as formas novas do colonialismo e uma recusa obstinada a nos admirarmos reciprocamente no alto.















terça-feira, 7 de março de 2017

A virtude do nacionalismo popular e dos comunistas

A grande virtude dos governos nacionalistas populares na América Latina é a sua capacidade de arregimentação das massas, seja por via direta de militância, seja pelos benefícios e leis aprovadas que auxiliam a população trabalhadora.

O problema é justamente o que falta a eles, ou seja, a limitação que tem se demonstrado durante as diversas experiências ocorridas durante a história; a luta de classes.


De uma forma ou de outra sempre tentaram conciliar a burguesia industrial com a classe trabalhadora, mesmo sabendo que são interesses distintos e, certamente, haveria divergências e confrontos duros sobre os rumos a serem tomados pelo Estado.

A burguesia no século xx permitiu tal situação primordialmente pela crise interna (econômica e politica) que viviam esses países e seu completo atraso perante o resto do mundo. Mas em determinado momento, quando a situação estava controlada, a mínima industrialização já havia sido produzida e o Estado estava ficando cada vez mais ''interventor'', o jogo virava, mudando completamente o planejamento até então estabelecido. O apoio retornava às forças estrangeiras (ainda que nunca tivesse sido completamente abandonado).

E justamente isso os comunistas, no geral, entendem e colocam em pratica durante os processos revolucionários. Ou seja, a completa reestruturação do Estado, das forças politicas e econômicas, tomando todo o poder politico e aprofundando radicalmente a luta de classes e anti-imperialista.

A dificuldade do nacionalismo popular latino americano é a virtude dos comunistas, e a virtude desses governos representa a dificuldade dos comunistas, ao menos atualmente.