segunda-feira, 15 de maio de 2017

A esquerda sem projeto nacional

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A esquerda brasileira vive uma das maiores limitações programáticas da sua história.

Quando se questiona e/ou debate alguma questão relacionada á programas para as eleições sempre é fechada num eixo: Bolsas e cotas.

Repare que independentemente se a eleição é municipal, estadual ou federal não surge qualquer proposta estrutural, verdadeiramente transformadora, ainda que restrita as circunstâncias legais.


Isso reflete a completa inércia no que se refere ao ímpeto de mudança politica e econômica deste espectro.

Consequentemente mostra-se completamente adaptada ao status quo, seja no clientelismo, na corrupção, acordos escusos e tudo mais que o valha.

É fundamental um projeto nacional profundamente transformador e ligado á realidade do nosso país e as respectivas diferenças regionais existentes.

O crescimento da direita, de grupos liberais, e de uma rejeição a um pensamento que reflita sobre as desigualdades sociais, culturais e históricas não é desculpa para o ''esquecimento'' dos principais problemas da base social a qual dizem representar.

Muito pelo contrário, neste momento de acirramento e contradição mais evidente que tais problemas devem ser postos em primeiro lugar nas pautas programáticas na perspectiva de uma alteração profunda do quadro atual.

Larguem as questões comportamentais, de costumes, e escolhas individuais de lado por um momento e foquem na economia, o povo trabalhador e pobre deste país precisa disso.

quinta-feira, 11 de maio de 2017

O ''Projeto Lula'' e a ''oposição de esquerda''


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Se durante todos esses anos, antes e depois da eleição do Lula, a dita ''oposição de esquerda'' ao PT tivesse aproveitado o momento para realmente formular um projeto conjunto com a classe trabalhadora, de mobilização e conscientização, provavelmente, poderiam criar uma alternativa concreta ao que dizem combater, todavia, nesse período histórico, até 2005, com exceção do PCO, todos estavam na coligação com o PT.

E, depois de se retirarem, não conseguiram nada mais e nada menos que meia dúzia de sindicatos e centros estudantis, a luta no campo, a base operária, o movimento de moradia etc., continuam bem afastados desse pessoal, no campo de apoio direto.


Nos momentos de polarização, Lula continuará sendo destaque, não importa quantas denuncias (da grande mídia e de militantes á esquerda) possam ser feitas. Ele conseguiu em todos esses anos angariar no imaginário de uma parte da população, a que mais importa, nos trabalhadores, o apoio necessário estar em alta e marcar seu nome na história, isso é um fato.

Claro, também tem outra, caso as eleições de 2018 aconteça, e, aparentemente o cenário num primeiro momento será de Lula vs Bolsonaro, ou Lula vs Dória, novamente, colocará á margem todos os agrupamentos políticos oposicionistas, porque tanto para os trabalhadores de um modo geral, quanto para certos setores mais estruturados, a única opção é o ''projeto Lula''.

E o resto vai continuar reclamando na internet ou querendo ser bem ''revolucionário'', mas os fatos constroem os caminhos reais, não os ideais, eis o que falta ser entendido.

segunda-feira, 8 de maio de 2017

Projeto de segurança local: Milícias populares.

A milícia de Cherán treina para um desfile

Muito se fala sobre segurança pública, o aumento do aparato policial, da repressão, penas mais duras etc. Todavia, nada se discute da participação das comunidades envolvidas diretamente na violência cotidiana.

A formação de milícias populares num primeiro momento, principalmente para quem nunca ouviu falar sobre o tema, parece algo de outro mundo, absurdo, porém, é uma intervenção muito mais eficaz e democrática do que qualquer ação repressiva por parte do atual Estado burguês.


Em países como o México, que vivem os mesmos problemas que nós, ou seja, são um narco-Estado, controlados territorialmente por agrupamentos criminosos que interagem entre si numa via de mão dupla, Estado (e todas as suas representações institucionais) e facções criminosas formam um elo único de ataque á população, sendo a mais pobre a que sofre os piores resultados disso.

Portanto, a organização de trabalhadores em prol da sua própria segurança, armados, decidindo as ações de autodefesa a serem tomadas de forma coletiva e sem interferência do aparato de repressão do Estado, sendo este em medida comprovada, corrupto e comprometido, com interesses não-populares, e sim de poder e financeiros, de terceiros.

A situação de violência seria fortemente diminuída e controlada pela classe que mais é a prejudicada e que tem o maior interesse na resolução do problema; os trabalhadores.


domingo, 7 de maio de 2017

A derrota da Frente Nacional e a vitória do Macron

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A Frente Nacional perdeu as eleições, mas tem conquistado e consolidado algo mais importante num primeiro momento do que o poder institucional, e, é construído a longo prazo; uma base social solida e coesa.

Ao longo desses últimos anos tem mantido um discurso firme contra a globalização e suas diversas manifestações negativas dentro da sociedade francesa, isso levou, inclusive, a que outros setores políticos se movimentassem ao redor dessa temática e consequentemente trouxessem, também, essa preocupação em seus respectivos programas políticos.

E também é possível apontar o crescimento, ainda que contraditório (historicamente falando), da inserção da FN entre os trabalhadores franceses, bairros operários, o que vem obrigando a esquerda mais radical a largar seu programa ''integracionista europeu'' e apontar para um caminho independente da UE, BCE e OTAN, assim como o KKE já faz na Grécia há muito tempo.

Os que comemoram dentro da esquerda a vitória do ''democrata'' Macron, devem abrir os olhos, pois, o que aguarda a classe trabalhadora na França é um projeto de terra arrasada do Estado de bem-estar social.

De um jeito ou de outro, o que a esquerda radical, verdadeiramente preocupada com a classe trabalhadora francesa tem que continuar apontando para uma guerra sem tréguas a qualquer medida de ataque á seus direitos mais básicos. Assim como fez com o Hollande.

Porque, independente de quem fosse eleito, a burguesia irá exigir esses cortes e o final (do que resta), dos direitos sociais trabalhistas conquistados com muito sangue e luta da classe trabalhadora.

A vitória do Macron representa um fôlego a mais à institucionalização democrático-burguesa na França, todavia, se o mesmo empreender o que consta no seu projeto politico, ele pode não chegar até o final do mandato.
Os tempos são outros, e uma nova aurora se avizinha.

domingo, 23 de abril de 2017

Marxismo e Reformismo - V. I. Lenin

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Os marxistas, diferentemente dos anarquistas, reconhecem a luta por reformas, isto é, por melhorias na situação dos trabalhadores que deixam como antes o poder nas mãos da classe dominante. Mas, ao mesmo tempo, os marxistas travam a luta mais enérgica contra os reformistas, que direta ou indiretamente limitam as aspirações e a atividade da classe operária às reformas. O reformismo é um logro burguês dos operários, que permanecerão sempre escravos assalariados, apesar de determinadas melhorias, enquanto existir a dominação do capital.

A burguesia liberal, dando reformas com uma das mãos, retira-as sempre com a outra, reduzi-las a nada, utiliza-as para subjugar os operários, para os dividir em diversos grupos, para perpetuar a escravidão assalariada dos trabalhadores. Por isso o reformismo, mesmo quando é inteiramente sincero, transforma-se de facto num instrumento de corrupção burguesa e enfraquecimento dos operários. A experiência de todos os países mostra que, confiando nos reformistas, os operários foram sempre enganados.

Pelo contrário, se os operários assimilaram a doutrina de Marx, isto é, tomaram consciência da inevitabilidade da escravidão assalariada enquanto se conservar a dominação do capital, então não se deixarão enganar por nenhumas reformas burguesas. Compreendendo que, conservando-se o capitalismo, as reformas não podem ser nem sólidas nem sérias, os operários lutam por melhorias e utilizam as melhorias para continuarem uma luta mais tenaz contra a escravidão assalariada. Os reformistas procuram dividir e enganar os operários com esmolas, afastá-los da sua luta de classe. Os operários, conscientes da falsidade do reformismo, utilizam as reformas para desenvolver e alargar a sua luta de classe.

Quanto mais forte é a influência dos reformistas sobre os operários tanto mais fracos são os operários, tanto mais dependentes da burguesia, tanto mais fácil é para a burguesia reduzir as reformas a nada por meio de diversos subterfúgios. Quanto mais independente e profundo, quanto mais amplo pelos seus objetivos for o movimento operário, quanto mais livre ele for da estreiteza do reformismo, tanto melhor os operários conseguirão consolidar e utilizar as melhorias isoladas.

Existem reformistas em todos os países, pois por toda a parte a burguesia procura de um modo ou de outro corromper os operários e fazer deles escravos satisfeitos, que renunciem à ideia de suprimir a escravidão. Na Rússia os reformistas são os liquidacionistas, que renunciam ao nosso passado para adormecer os operários com sonhos acerca de um partido novo, aberto, legal. Recentemente, forçados pelo Sévernaia Pravda(1), os liquidacionistas de Petersburgo começaram a defender-se da acusação de reformismo. É preciso determo-nos atentamente nos seus argumentos para esclarecer devidamente esta questão extraordinariamente importante.

Nós não somos reformistas — escreveram os liquidacionistas de Petersburgo — pois não dissemos que as reformas são tudo, que o objectivo final não é nada; nós dissemos: movimento em direção ao objectivo final; dissemos: através da luta pelas reformas rumo à plenitude das tarefas fixadas.
Vejamos se essa defesa corresponde à verdade.

Primeiro facto. O liquidacionista Sedov, resumindo as declarações de todos os liquidacionistas, escreveu que dos «três pilares» apresentadas pelos marxistas(2), duas delas não são atualmente convenientes para a agitação. Ele deixou a jornada de trabalho de 8 horas, que, teoricamente, é realizável como reforma. Eliminou ou afastou precisamente aquilo que sai do quadro de uma reforma. Por conseguinte, ele caiu no mais evidente oportunismo, praticando justamente a política que se exprime na fórmula segundo a qual o objectivo final não é nada. É precisamente reformismo quando o «objectivo final» (ainda que seja relativamente à democracia) é afastado da agitação.

Segundo facto. A famigerada conferência de Agosto (do ano passado) dos liquidacionistas também afasta — num caso especial — as reivindicações não reformistas em vez de as aproximar mais, para o próprio centro da agitação.

Terceiro facto. Negando e minimizando o «velho», esquivando-se a ele, os liquidacionistas limitam-se desse modo ao reformismo. Na situação atual, é evidente a ligação do reformismo com a negação do «velho».

Quarto facto. O movimento econômico dos operários suscita o ódio e os ataques dos liquidacionistas(«arrebatamento», «gesticulação», etc., etc.) logo que ele se liga a palavras de ordem que saiam dos limites do reformismo.

Que resultado obtemos? Em palavras os liquidacionistas rejeitam o reformismo de princípio, de facto aplicam-no em toda a linha. Por um lado asseguram-nos que de modo nenhum as reformas são tudo para eles, mas, por outro lado, sempre que na prática os marxistas saem dos limites do reformismo isso provoca ou os ataques ou uma atitude desdenhosa dos liquidacionistas.

Entretanto, os acontecimentos em todos os sectores do movimento operário mostram-nos que os marxistas não só não ficaram para trás como, pelo contrário, vão claramente à frente na utilização prática das reformas e da luta por reformas. Considerem-se as eleições para a Duma pela cúria operária, as intervenções dos deputados na Duma e fora da Duma, a criação de jornais operários, a utilização da reforma do seguro, o sindicato dos metalúrgicos como sindicato mais importante, etc., em toda a parte vemos a preponderância dos operários marxistas sobre os liquidacionistas, no domínio do trabalho direto, imediato, «quotidiano», de agitação, de organização, de luta pelas reformas e pela sua utilização.

Os marxistas trabalham incansavelmente, não perdendo uma única «possibilidade» de reformas e da sua utilização, não reprovando, antes apoiando e desenvolvendo atentamente, qualquer saída dos limites do reformismo tanto na propaganda como na agitação e na ação econômica de massas, etc. Quanto aos liquidacionistas, que se afastaram do marxismo, com os seus ataques contra a própria existência de um todo marxista, com a sua infracção da disciplina marxista, com a sua pregação do reformismo e da política operária liberal, apenas desorganizam o movimento operário.

Não se deve esquecer, além disso, que na Rússia o reformismo se apresenta sob uma forma particular, que consiste em identificar as condições fundamentais da situação política da Rússia atual e da Europa atual. Do ponto de vista do liberal, semelhante identificação é legítima, pois o liberal acredita e confessa que «nós temos, graças a Deus, uma constituição». O liberal exprime os interesses da burguesia quando defende a ideia de que depois de 17 de Outubro qualquer saída da democracia para além dos limites do reformismo é uma loucura, um crime, um pecado, etc.

Mas são precisamente essas ideias burguesas que são de facto aplicadas pelos nossos liquidacionistas, que «transferem» constante e sistematicamente para a Rússia (no papel) o «partido aberto», a «luta pela legalidade», etc. Por outras palavras, eles, tal como os liberais, pregam a transferência para a Rússia da constituição europeia sem o caminho peculiar que no Ocidente conduziu à criação das constituições e à sua consolidação ao longo de gerações, por vezes mesmo ao longo de séculos. Os liquidacionistas e os liberais querem, como se costuma dizer, lavar a pele sem a meter na água.

Na Europa, o reformismo significa de facto a rejeição do marxismo e a sua substituição pela «política social» burguesa. No nosso país, o reformismo dos liquidacionistas não significa apenas isso mas também a destruição da organização marxista e a rejeição das tarefas democráticas da classe operária, a sua substituição pela política operária liberal.

terça-feira, 18 de abril de 2017

O setor estatal, a eficiência e a burocracia, a quem serve ?


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Empresas estatais e o setor público podem e devem ser mais eficientes.

Quais os maiores interessados em que as respectivas engrenagens citadas funcionem?

Os próprios trabalhadores, portanto, nada mais coerente que exista uma ampla participação da categoria nas decisões, planejamentos e formas de organização.

Por vezes a população de um modo geral não tem ideia da dimensão e importância da Petrobras, Eletrobrás, do sistema único de saúde, da educação pública, ainda que sejam os principais beneficiários dos serviços e consequentemente prejudicados, quando o sistema não funciona ou a empresa tem prejuízos.

O que fundamentalmente corroí o erário público ?

-Indicações politicas(No que se refere ao fisiologismo e nepotismo, agentes políticos com formação adequada e que defendam o interesse público não fazem parte do problema).

-Junção dos interesses públicos com privado.

-Sucateamento do serviço ou empresa pública para o favorecimento do setor privado.

Todos esses problemas seriam superados com a participação direta dos trabalhadores nas direções estratégicas, econômicas e comerciais, pois, além de representarem os interesses reais do bom funcionamento da empresa e do serviço prestado, é concretamente o bloco de defesa contra as práticas destrutivas.

A criatividade que existe em variados níveis nos trabalhadores é impedida de se manifestar quando ele não tem qualquer direito decisório nas instâncias mais relevantes do seu setor.

A burocracia pode ser drasticamente diminuída, quiçá desaparecer, caso os maiores conhecedores do processo interno possam de forma coordenada e coletiva colocar suas ideias em funcionamento.

Tudo isso é bloqueado para favorecer indicados, corrupção, interesses privados, e por fim, claro, o sentimento de descrédito e raiva contra o setor público no geral.

segunda-feira, 17 de abril de 2017

O empreendedorismo como falsa alternativa do capitalismo

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A pesquisa qualitativa que a Fundação Perseu Abramo realizou identifica que uma parcela da população da periferia tem um pensamento médio meritocrático, consumista, não vê o patrão como inimigo e não entende a dicotomia esquerda e direita.

Ainda que não seja a totalidade, e, nem teria como ser, já que existe uma heterogeneidade muito grande dentro do nosso país, desde a religião ao modo como as famílias são formadas, isso é resultado da completa inexistência de um trabalho politico consistente junto às periferias e favelas, neste caso, em São Paulo.

O discurso do empreendedorismo (uma proposta falsa para grande parte das pessoas, servindo apena como um tipo de esperança para o futuro), a meritocracia (termo absorvido da classe média, árdua defensora de suas pequenas propriedades, e que não aceita qualquer ganho concreto dos trabalhadores), em conjunto com a divisão não compreendida do que seriam exatamente posicionamentos de direita e esquerda, apenas se pautando pelo discurso que abrange as situações acima descritas, descreve um cenário de completa desinformação.

Muito do ''empreendedorismo'' amplamente divulgado pela mídia nada mais é que o resultado da extrema precarização do trabalho e da vida de um modo geral do povo brasileiro.

Os milhares de autônomos representam uma tentativa de fuga da profunda exploração, das distâncias (em relação aos centros de trabalho), qualificação exigida, baixos salários etc.

Não tem qualquer tipo de ''projeto emancipatório'' envolvido, inclusive, esta pesquisa feita na periferia que aborda também sobre este tema deixa bem claro o problema.

Caso o país ofereça todo um arcabouço de bem-estar social desde o trabalho, estudo, até as atividades cotidianas da população em seus bairros toda essa lógica é rompida e uma reorganização ''tradicional'' volta a aparecer.

A propaganda do empreendedorismo cresce e se alimenta da mesma ponta em que segue a destruição das leis trabalhistas, da desvalorização salarial, aumento do custo de vida etc.

Qualquer ''exceção'' que possa existir não refuta a regra, muito pelo contrário, apenas a confirma.

Ao invés de trabalhar pela adaptação de propostas e organizações á essas pautas, o certo, seria verdadeiramente intervir na mudança dessa percepção individualista de sociedade para um projeto coletivo de desenvolvimento que englobe os anseios transformadores das estruturas nacionais.

Nota:As direitas em alta no Brasil

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Existem, hoje, dois tipos de direita em alta no Brasil:

-Bolsonaro
-Empresarial: Dória e afins.


Não fico tão temerário de Bolsonaro ser eleito para o cargo mais importante do país, porque, em ultima instância, ela (a representação concreta da qual faz parte), precisa da ''autorização''(seja em apoio explicito, implícito e financiamento), da outra ala, a empresarial,

Claro que pode ocorrer uma aliança em momentos críticos, por exemplo, nenhum candidato preferido da burguesia tendo ascensão nas pesquisas etc. O que não configura o caso atual, logo, a parte mais extrema da direita apenas age como um cachorro comandado pelos reais donos do poder, e do capital, ou seja, quem não se interessa em ultima instância a sujar as mãos diretamente.

Prefere que todo o peso negativo fique na plebe, enquanto eles, a elite, se regozijam com o discurso rebuscado para atrair os abismados com a ''selvageria''.

O empresariado no poder faz a mesma coisa, quando não pior, do que o animalesco bradando seus impropérios. O latifúndio, os assassinatos no campo, a pobreza extrema, o desemprego, as privatizações, o corte nos direitos mais elementares de um ser humano estão sendo praticados exatamente neste momento.

Em resumo, a lógica de crescimento e proteção que elementos como esses têm, são graças ao sistema econômico e politico atual, a elite coordena todas as contradições, e, seus interesses, sempre estarão na boca de todos os defensores do status quo, em maior ou menor medida.

terça-feira, 11 de abril de 2017

A esquerda nas eleições francesas: Jean-Luc Mélenchon

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Nas eleições francesas, além da disputa principal até o momento entre Le Pen vs Macron, surge uma terceira força á esquerda, algumas mídias o colocam como ''extrema-esquerda'', é o Jean-Luc Mélenchon.

Ele tem surgido como opção ao neoliberal e a extrema-direita. O problema é que quando já existe uma polarização colocada na grande mídia e para a população, dificilmente isso é rompido.

Ainda mais porque seu nome apenas surgiu após participar dos debates, ao contrário de Macron apoiado pelos capitalistas e Le Pen que vem fazendo um trabalho de reestruturação da frente nacional há muito tempo.


De qualquer forma achei positiva sua candidatura e com um bom programa para começar a mudar a França,

Alguns pontos do seu programa econômico e geopolitico:

''Seu radical programa eleitoral de taxações e gastos públicos inclui um plano de incentivo de 100 bilhões de euros e as reduções da jornada semanal de trabalho, das atuais 35 para 32 horas, e da idade de aposentadoria, para 60 anos.

O ultraesquerdista francês propõe um aumento do salário mínimo e o reforço da seguridade social, em parte através de impostos progressivos, taxando em 100% todo rendimento acima de 33 mil euros mensais. Ele promete, ainda, abandonar a energia nuclear, responsável por cerca de 75% da eletricidade nacional, assim como re-estatizar o grupo nacional de energia EDF, parcialmente privatizado.

Admirador declarado do ex-dirigente venezuelano Hugo Chávez, na política externa Mélenchon quer retirar a França tanto da União Europeia quanto da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).

E, ao mesmo tempo em que manifesta apoio à intervenção militar do presidente russo, Vladimir Putin, na Síria e na Ucrânia, o líder do FI compara a chefe de governo alemã, Angela Merkel, ao beligerante homem de Estado prussiano Otto von Bismarck. "Sou o candidato da paz", assegurou, durante o comício marselhês do domingo, enquanto tirava um ramo de oliveira do bolso do casaco''{1}

terça-feira, 14 de março de 2017

"Elevemos nossa Moral Revolucionária, combatamos o Individualismo"



Os nossos compatriotas têm o hábito de dizer: os membros do Partido dão o exemplo, a população segue-os. É um elogio sincero aos membros e aos quadros do Partido.

Por ter mantido já 39 anos de uma luta heroica, assegurado o triunfo da Revolução de Agosto assim como a vitória da primeira resistência, e conduzido simultaneamente na hora atual a edificação do socialismo no Norte e a luta patriótica contra a agressão estadunidense, o nosso povo deu-se conta de que a direção de nosso Partido é muito clarividente, que ela conduziu a nossa nação de vitória em vitória a caminho do progresso. Na luta do Partido, como na vida cotidiana, sobretudo nas frentes de combate e da produção, numerosos quadros e militantes mostram-se valentes e exemplares; os primeiros na tarefa e os últimos na honra, eles puderam cumprir um trabalho glorioso.

O nosso Partido formou toda uma geração revolucionária, de moças e de rapazes plenos de entusiasmo e de coragem no cumprimento das suas tarefas.

São flores resplandecentes saídas do heroísmo revolucionário. O nosso povo e o nosso Partido estão orgulhosos destes filhos dignos.

Mas a par destes bons elementos, há ainda quadros e membros do Partido cuja moral deixa a desejar.

Dominados pelo individualismo, em todas as coisas eles pensam, antes de tudo, no seus próprios interesses. A consigna não é “um por todos”, mas “todos por mim”.

Individualistas, eles temem as privações e as dificuldades, caem na avidez, na corrupção, no desperdício, no luxo. Eles correm atrás das honrarias e do lucro, dos títulos e do poder. O seu orgulho faz com que eles não prestem atenção à coletividade; eles desprezam as massas, mostram-se arbitrários e tiranos. Desligando-se das massas e da realidade, eles caem na burocracia e no autoritarismo. Eles perdem o gosto pelo esforço no trabalho e no estudo e não procuram sequer corrigir-se.

Também por causa do seu individualismo, eles provocam a desunião, faltam aos princípios da organização, à disciplina, às suas responsabilidades. Eles não aplicam seriamente a linha e a política do Partido e do Estado, prejudicam os interesses da revolução e do povo.

Em resumo, o individualismo conduz a muitas faltas e erros.

Para tornar os seus quadros e os seus membros dignos de serem combatentes revolucionários, o nosso Partido deve prodigalizar todos os seus esforços para inculcar-lhes o ideal comunista, fazer-lhes compreender e aplicar a sua linha e a sua política, iluminá-los nas suas tarefas e na moral do militante. A crítica e a autocrítica devem ser praticadas seriamente no seio do Partido. É preciso aceitar e encorajar as críticas sinceras feitas pelas massas. A vida da célula deve ser estritamente regulamentada, a disciplina do Partido imparcial e justa, o trabalho de controle, rigoroso.

Cada quadro, cada membro do Partido deve colocar os interesses da revolução, do Partido e do povo acima de tudo e antes de tudo. É preciso combater energicamente o individualismo e elevar a nossa moral revolucionária, cultivar o espírito coletivo, o espírito de união, o respeito pela organização e o sentido da disciplina. Nós devemos seguir de perto a realidade, consultar as massas, respeitar e fazer vingar o direito do povo de ser o dono de seu próprio destino. Devemos esforçarmo-nos por estudar, elevar o nível dos nossos conhecimentos para podermos levar a bom termo todas as nossas tarefas.

Esta é uma forma realista de celebrar o aniversário da fundação do Partido, o grande Partido da nossa classe operária e do nosso povo heroicos. É também um trabalho necessário para ajudar os quadros e os militantes a progredirem, a contribuírem mais eficazmente na luta patriótica contra a agressão estadunidense, e na edificação vitoriosa do socialismo.

Artigo escrito por Ho Chi Minh por ocasião do 39º aniversário do Partido dos Trabalhadores do Vietnã

quarta-feira, 8 de março de 2017

Trabalhar com base na realidade e a comunicação politica

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É muito importante conseguir desenvolver e apresentar projetos de forma que, diversos tipos de público possam ter acesso a ela, e, entende-la.
Na politica, e principalmente nos últimos anos, a direita vem conseguindo fazer isso muito bem, se comparado à esquerda, o embate cultural vem crescendo e o placar do jogo mudando a cada novo passe em falso da esquerda.
Os respectivos discursos da direita não contêm só mentiras á população. Há ''verdades'', mas, apenas uma faceta dela. De qualquer forma, o mais importante, sempre, é como as ideias e propostas são apresentadas e divulgadas para o grande público.
Essa é a grande dificuldade da esquerda atualmente.
Não é só o problema de estar presa a bolha universitária, majoritariamente formada pela classe média. Mas essencialmente porque todo o seu discurso, seus projetos, e primordialmente sua vontade é de continuar restrito, assim como um produto gourmet, ao mesmo público alvo de sempre.
A pouca interação com elementos das periferias é quando estes entram na universidade, mas não são essas poucas pessoas que influenciam as organizações e partidos, pelo contrário, a casta pequeno burguesa permanece inalterada, quem muda são exatamente os novos participantes.
O ''populismo'' da direita e essa nova onda que vem crescendo no mundo representa tanto do ponto de vista econômico, social e cultural, a completa incapacidade da esquerda moderada, e mesmos de seguimentos radicais, em conseguir construir um discurso compatível com os interesses mais imediatos dos trabalhadores e da população precarizada de um modo geral.
Será com base nas condições concretas, contradições e interesses imediatos, que é possível construir um projeto de transformação das estruturas econômicas e sociais do país, e não ao contrário, ou seja; um tipo de mudança cultural e de pensamento que vai alterar o curso da realidade e favorecer um mundo ''menos desigual'' e ''mais justo''.



Frantz Fanon: a cultura nacional

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Frantz Fanon foi um dos mais importantes pensadores da libertação nacional dos países africanos e do mundo
No último dia 20 transcorreu o nonagésimo primeiro aniversário de Frantz Fanon. Nascido na Martinica, Fanon faleceu jovem, aos 36 anos. Mas teve tempo de se tornar um dos mais importantes pensadores da libertação nacional dos países da África – e, a rigor, de todo o mundo. Fez parte dos “franceses livres” durante a II Guerra Mundial, no combate ao nazismo. Psiquiatra, depois de publicar uma candente denúncia do racismo (“Pele Negra, Máscaras Brancas”, de 1952), torna-se chefe de um hospital na Argélia. Quando irrompe a luta pela independência argelina, soma-se à Frente de Libertação Nacional. Expulso pelos franceses da Argélia, em 1957, passa a residir na Tunísia, continuando a luta no exílio. Nessa época, sobrevive a vários atentados organizados pelos colonialistas franceses. Em 1961, alguns meses antes da libertação completa da Argélia, Frantz Fanon faleceu de leucemia. Os trechos que publicamos abaixo são de seu livro mais importante, “Les Damnés de la Terre”, na tradução de José Laurênio de Melo para a editora Civilização Brasileira (“Os Condenados da Terra”), publicada em 1968.
C.L.

Nos países subdesenvolvidos as gerações precedentes ao mesmo tempo resistiram ao trabalho de erosão efetuado pelo colonialismo e prepararam o amadurecimento das lutas atuais. Precisamos perder o hábito, agora que estamos em pleno combate, de minimizar a ação de nossos pais ou de fingir incompreensão diante de seu silêncio ou de sua passividade. Eles se bateram como puderam, com as armas que então possuíam, e se os ecos de sua luta não repercutiram na arena internacional, cumpre ver a razão disso menos na ausência de heroísmo que numa situação internacional fundamentalmente diferente. Foi necessário que mais de um colonizado dissesse “isso não pode continuar”, foi necessário que mais de uma tribo se rebelasse, foi necessário mais de um levante sufocado, mais de uma manifestação reprimida para que pudéssemos hoje erguer a cabeça com esta confiança na vitória.
Quando refletimos nos esforços empregados para provocar a alienação cultural tão característica da época colonial, compreendemos que nada foi feito ao acaso e que o resultado global pretendido pelo domínio colonial era convencer os indígenas de que o colonialismo devia arrancá-los das trevas. O resultado, conscientemente procurado pelo colonialismo, era meter na cabeça dos indígenas que a partida do colono significaria para eles o retorno à barbárie, ao aviltamento, à animalização. No plano do inconsciente, o colonialismo não pretendia ser visto pelo indígena como uma mãe doce e bondosa que protege o filho contra um ambiente hostil, mas sob a forma de uma mãe que a todo momento impede um filho fundamentalmente perverso de se suicidar, de dar livre curso a seus instintos maléficos. A mãe colonial defende o filho contra ele mesmo, contra seu ego, contra sua fisiologia, sua biologia, sua infelicidade ontológica.
O colonialismo não julgou necessário perder tempo em negar umas após outras as culturas das diferentes nações. Por isso a resposta do colonizado será naturalmente continental. Na África, a literatura colonizada dos últimos vinte anos não é uma literatura nacional mas uma literatura de negros. O conceito de negritude, por exemplo, era a antítese afetiva senão lógica desse insulto que o homem branco fazia à humanidade. Essa negritude exacerbada contra o desprezo do branco revelou-se em certos setores apenas capaz de suspender interdições e maldições. Uma vez que se viam confrontados antes de tudo com o ostracismo global, o desprezo sincrético do dominador, os intelectuais guineenses ou quenianos reagiam admirando ou cantando a si mesmos. À afirmação incondicional da cultura europeia sucedeu a afirmação incondicional da cultura africana.
Vimos que os brancos estavam acostumados a por todos os negros no mesmo saco. No decorrer do primeiro congresso da Sociedade Africana de Cultura, realizado em Paris em 1956, os negros americanos espontaneamente refletiram sobre seus problemas no mesmo plano que os dos seus congêneres africanos. Os homens de cultura africanos, ao falar em civilizações africanas, outorgavam um estado civil razoável aos antigos escravos. Mas, pouco a pouco, os negros americanos foram percebendo que os problemas existenciais que se colocavam diante deles não se assemelhavam àqueles com que defrontavam os negros africanos. Os negros de Chicago só se pareciam com os da Nigéria e Tanganica na exata medida em que todos eles se definiam em relação aos brancos. Mas passados os primeiros confrontos, uma vez tranquilizada a subjetividade, os negros americanos perceberam que os problemas objetivos eram fundamentalmente heterogêneos. Assim, durante o segundo congresso da Sociedade Africana de Cultura os negros americanos deliberaram criar uma Sociedade Americana dos homens de cultura negros.
A cultura negra, a cultura negro-africana se fragmentou porque os homens que se propunham encarná-la compreenderam que toda cultura é antes de tudo nacional e que os problemas que mantinham Richard Wright ou Langston Hughes em estado de alerta eram fundamentalmente diferentes daqueles que poderiam desafiar Leopold Senghor ou Jomo Kenyatta.
Bater-se pela cultura nacional é em primeiro lugar bater-se pela libertação da nação, matriz material a partir da qual a cultura se torna possível. Não há um combate cultural que se desenrole ao lado do combate popular. Por exemplo, todos esses homens e todas essas mulheres que lutam com os punhos nus contra o colonialismo francês na Argélia não são estranhos à cultura nacional argelina. A cultura nacional argelina toma corpo e consistência no decurso desses combates, na cadeia, diante da guilhotina, nos quartéis franceses atacados e destruídos.
A cultura nacional não é o folclore onde um populismo abstrato julgou descobrir a verdade do povo. Não é a massa sedimentada de gestos puros, isto é, cada vez menos vinculados à realidade presente do povo. A cultura nacional é o conjunto dos esforços feitos por um povo no plano do pensamento para descrever, justificar e cantar a ação através da qual o povo se constituiu e se manteve. Nos países subdesenvolvidos, a cultura nacional deve portanto situar-se no centro mesmo da luta de libertação empreendida por esses países.
Digo que nenhum discurso, nenhuma proclamação sobre a cultura nos eximirá de nossas tarefas fundamentais, que são a libertação do território nacional, uma luta de todos os instantes contra as formas novas do colonialismo e uma recusa obstinada a nos admirarmos reciprocamente no alto.