sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Nota: Sobre a economia do franquismo na Espanha(1939-1959)

A economia do franquismo na Espanha mesmo em sua fase de intervencionismo estatal que foi entre 1939-1959(Em 1951 começa a liberalização econômica, por conta da mudança geopolítica internacional e o inicio da guerra fria os Estados Unidos concede empréstimos generosos) tem como principio o favorecimento ao setor privado.

Diga-se de passagem, o franquismo num primeiro ''momento'' aceitou que o Estado fosse mais ativo na economia pelo fato do pais estar completamente destruído. Portanto, não havendo naquelas circunstancias possibilidades da iniciativa privada agir de maneira preponderante.

A economia, assim como outros setores, eram administrados por tecnocratas(mais ou menos até 1956).

O resultado desse período (1939-1951) foi essencialmente uma economia de subsistência e racionamento. Diferentemente de outros países da região, a Espanha não conseguiu desenvolver sua indústria, tecnologia e agricultura para exportação. Só começou a obter resultados positivos a partir dos empréstimos estrangeiros, em contrapartida, começaram a abrir o pais economicamente.

A partir dessa data (1951), as multinacionais começam a entrar economia do pais e dominam setores importantes. Formando monopólios estimulados e apoiados diretamente pelo franquismo.
Com o controle dos sindicatos, o Estado conseguiu congelar os salários, proibir as greves e por consequência fornecer uma mão de obra barata(até certo ponto) e sem qualquer tipo de organização e mobilização trabalhista.

A hora da economia colaborativa

O avanço desta nova economia e a explosão de um novo modo de consumir parecem imparáveis.

Ignacio Ramonet
reprodução










A economia colaborativa é um modelo econômico baseado no intercâmbio e na oferta de bens e serviços mediante o uso de plataformas digitais. Se inspira nas utopias de compartilhamento e em valores não mercantis, como a ajuda mútua ou a convivialidade, e também no espírito de gratuidade, mito fundador da Internet. Sua ideia principal é “o que é meu é seu”, ou seja, compartilhar em vez de possuir. O conceito básico é a troca. Se trata de conectar, pela via digital, aqueles que buscam “algo” com as pessoas que oferecem esse algo. Entre as mais conhecidas empresas que exercitam essa prática estão Netflix, Uber, Airbnb, Blabacar, etc.
 
Trinta anos depois da expansão massiva da web, os hábitos de consumo mudaram. Se impõe agora a ideia de que a opção mais inteligente hoje é usar algo em comum, e não necessariamente comprá-la. Isso significa ir abandonando pouco a pouco uma economia baseada na submissão dos consumidores e no antagonismo ou na competição entre produtores, e passar a um sistema que estimula a colaboração e o intercâmbio entre os usuários de um bem ou de um serviço. Tudo isto planteia uma verdadeira revolução no seio do capitalismo, que está acontecendo bem diante dos nossos olhos, uma nova mutação.
 
Imaginemos que, num domingo, você decide realizar um trabalho caseiro de reparação em sua casa. Precisa fazer alguns furos numa parede, mas não tem uma furadeira. Vai sair de compras num dia de descanso? Difícil. Então… o que fazer? E você mal sabe que a poucos metros de onde você mora há várias pessoas dispostas a lhe ajudar. Não saber disso é como se essas pessoas não existissem. Porém, que tal se existe uma plataforma digital que informe sobre isso? Que diga que ali pertinho vive um sujeito, quase um vizinho, disposto a lhe permitir usar sua furadeira, ou a informar a esse quase vizinho que você, pessoa necessitada de ajuda, está disposta a pagar por essa colaboração?
 
Essa é a base da economia colaborativa e do consumo colaborativo. Você evita gastar dinheiro para comprar uma furadeira, que talvez jamais terá que usar novamente, e um vizinho fatura uma grana que lhe ajuda nas contas do mês. O planeta também ganha, porque não precisa mais fabricar tantas ferramentas individuais que quase não serão usadas – e maltratar o meio ambiente, por consequência –, já que a lógica passa a ser a de compartilhar. Nos Estados Unidos, por exemplo, há cerca de 80 milhões de furadeiras cujo uso médio, em toda a vida útil da ferramenta, é de apenas 13 minutos. Assim, se reduz o consumismo. Se cria um espaço e uma vizinhança mais sustentável, e se evita um desperdício, porque o que se precisa de verdade é do furo, não da furadeira.

É um movimento irresistível, milhares de plataformas digitais de intercâmbio de produtos e serviços estão se expandindo a toda velocidade – um exemplo é o site espanhol consumo colaborativo: http://www.consumocolaborativo.com/. A quantidade de bens e serviços que podem ser criados ou renovados através destas plataformas online, sejam pagos ou gratuitos (como Wikipedia), é literalmente infinita. Só na Espanha, há mais de quatrocentas plataformas que operam em diferentes categorias, e 53% dos espanhóis declaram estar dispostos a compartilhar ou a alugar bens num contexto de consumo colaborativo. 
 
A nível planetário, a economia colaborativa cresce atualmente entre 15% e 17% ao ano. Com alguns exemplos de crescimento absolutamente espetaculares. Por exemplo, o Uber. O aplicativo digital que conecta os passageiros com os motoristas vale hoje 68 bilhões de dólares e opera em 132 países, e conseguiu isso em apenas cinco anos de existência. Por sua parte, Airbnb, a plataforma online de alojamentos para particulares, surgida em 2008, já encontrou cama para mais de 40 milhões de viajantes, e seu valor na bolsa é de mais de 30 bilhões de dólares – sem ser dona de sequer um dos quartos que oferece. Como empresa, o Airbnb já vale mais que o Hilton, o maior grupo hoteleiro do mundo, e também supera a soma dos valores dos outros dois grupos que compõem o pódio do mundo dos grandes hotéis: Hyatt e Marriot.
 
O sucesso destes modelos de economia colaborativa impõe às empresas tradicionais um grande desafio. Na Europa, Uber e Airbnb vem chocando de frente contra o mundo dos táxis e da hotelaria tradicional, respectivamente. São acusados de concorrência desleal. Mas nada poderá parar uma mudança que, em grande medida, é a consequência da crise de 2008 e do empobrecimento geral da sociedade. É um caminho sem retorno. Agora, as pessoas desejam consumir a menor preço, e também dispor de outras fontes de renda inconcebíveis antes da Internet. Com o consumo colaborativo, cresce também o sentimento de ser menos passivo, mais partícipe do jogo. E a possibilidade da reversibilidade, da alternância de funções, poder passar de consumidor a vendedor ou alugar, e vice-versa. O que alguns chamam de “prossumidor”, uma síntese de produtor e consumidor – conceito que aparece pela primeira vez no livro de Alvin Toffler, “A Terceira Onda”.
 
Outra característica fundamental desta nova relação econômica é a desmitificação do sentido de propriedade, e do desejo de posse, que foi simplesmente a base da sociedade de consumo. Adquirir, comprar, ter e possuir eram os verbos que melhor traduziam a ambição essencial de uma época na que a propriedade definia quem a pessoa era. Acumular coisas, moradias, carros, geladeiras, televisores, móveis, roupa, relógios, quadros, telefones, etc… essa era a principal razão da existência. Parecia que, desde a alvorada dos séculos, o sentido materialista era inerente ao ser humano. Recordemos que George W. Bush ganho as eleições presidenciais nos Estados Unidos, em 2004, prometendo uma “sociedade de proprietários”, e repetindo: “quantos más proprietários haja em nosso país, mais vitalidade econômica haverá”.
 
Erro duplo. Primeiro, porque a crise de 2008 destroçou essa ideia de que se havia estimulado as famílias a serem proprietárias, e os bancos, embriagados pela especulação imobiliária, passaram a emprestar dinheiro (as famosas subprimes) sem a mínima precaução. Foi assim que tudo começou. Os bancos hipotecários quebraram, até o próprio Lehman Brothers, um dos estabelecimentos financeiros aparentemente mais sólidos do mundo.
 
O segundo erro foi não perceber que, discretamente, novas iniciativas nascidas na Internet começaram a dinamitar a ordem econômica estabelecida. Por exemplo: Napster, uma plataforma para compartilhar música, que provocaria, em pouco tempo, a devastação de toda a indústria musical, e a quebra dos megagrupos multinacionais que dominavam o setor. O mesmo aconteceria com a imprensa, os operadores turísticos, o setor hoteleiro, o mundo dos livros e da edição, a venda por correspondência, o cinema, a indústria automobilística, o mundo financeiro e até mesmo o do ensino universitário, graças aos MOOC (sigla em inglês dos Cursos Online Abertos Massivos), e que foram usados por cerca de seis milhões de estudantes, nos últimos dois anos.
 
Num momento como o atual, de forte desconfiança sobre o modelo neoliberal e os interesses das elites políticas, midiáticas, financeiras e bancárias, a economia colaborativa oferece também respostas aos cidadãos que buscam um sentido de ética responsável. Exalta valores de ajuda mútua e critérios que, em outros momentos, foram a argamassa das utopias comunitárias e dos idealismos socialistas – mas que hoje são o novo rosto de um capitalismo mutante, que deseja se afastar do selvagismo impiedoso do recente período ultraliberal.
 
Neste amanhecer da economia colaborativa, as perspectivas de sucesso são inéditas, porque, em muitos casos, já não são mais necessárias as indispensáveis alavancas do capital inicial e do apoio de investidores. Basta ver o exemplo do Airbnb, que ganha milhões a partir de uma plataforma de alojamentos que sequer são de sua propriedade.
 
Com respeito ao emprego, numa sociedade caracterizada pela precarização e pelo trabalho instável e mal remunerado, cada cidadão pode agora apostar na disposição de bens e serviços como forma de melhorar sua renda, utilizando seu computador, ou até mesmo um telefone celular, sem depender de um empregador, apenas sendo um intermediário, que compartilha, aluga, empresta ou troca um serviço por outro. Coisa nada nova na economia, existe desde o início do capitalismo, mas agora em maior escala, e com a ajuda de poderosos algoritmos que, quase instantaneamente, calculam ofertas, demandas, fluxos e volumes, novas tecnologias que analisam e definem os ciclos de oferta e procura, dando ao novo sistema uma tremenda eficiência.
 
Por outro lado, num contexto no qual a crise climática se tornou a principal ameaça para a sobrevivência da humanidade, os cidadãos não estão alheios aos perigos ecológicos inerentes do modelo de hiperprodução e hiperconsumo globalizado. Neste sentido, a economia colaborativa também oferece soluções menos agressivas para o planeta.
 
Poderá mudar o mundo? Poderá transformar o capitalismo? Muitos indícios nos conduzem a pensar, junto com el ensaísta estadunidense Jeremy Rifkin (no livro “Sociedade com Custo Marginal Zero”), que estamos assistindo o ocaso da segunda revolução industrial, baseada no uso massivo de energias fósseis e sistemas centralizados de telecomunicação. Vemos a emergência de uma economia colaborativa que obriga o sistema capitalista a mutar. Por enquanto, as duas formas mantêm um regime de coexistência: uma economia de mercado depredadora por um lado, dominada pelo sistema financeiro brutal, e por outro uma economia de compartilhamento, baseada nas interações entre as pessoas e no intercâmbio de bens e serviços quase gratuitos – embora a dinâmica esteja decididamente a favor desta última.
 
Ainda estão pendentes muitas tarefas: garantir e melhorar os direitos dos e-trabalhadores, regular o pagamento de taxas e impostos das novas plataformas, evitar expansão da economia submersa – o mercado negro deste tipo de atividade –, entre outras. Mas o avanço desta nova economia e a explosão de um novo modo de consumir parecem imparáveis. Fatos que revelam o anseio de uma sociedade exasperada pelos estragos do capitalismo selvagem, e que aspira de novo, como reclamava o poeta Rimbaud, uma grande mudança de estilo de vida.
 
Tradução: Victor Farinelli

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

A mais-valia: fonte de lucro


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A mais-valia: fonte de lucro
Todos nós conhecemos pessoas que enriqueceram rapidamente.

O Sr. Z tem uma fábrica de roupa feita. Paga às suas costureiras um salário mais ou menos baixo. Depois de certo tempo, o senhor Z já tem dinheiro para comprar um novo negócio e continua sempre ganhando dinheiro. De onde provém o lucro do Sr. Z?

O Sr. Z, por exemplo, vende 10 vestidos num dia. Cobra Cr$ 9,00 por vestido, percebendo um total de Cr$ 90,00. Gastou nesse dia, em salário, materiais, aluguel, etc., Cr$ 50,00. Donde se originaram os Cr$ 40,00 de lucro?

Outro exemplo:

O comerciante X tem uma soma de dinheiro igual a D. Compra com esse dinheiro uma certa quantidade de mercadorias igual a M; vendendo-as obtém uma quantidade de dinheiro igual a D + a, isto é, o dinheiro anteriormente empregado e mais um lucro.
De onde se originou o lucro a?

A primeira resposta que nos ocorre é que o aumento se originou dos preços. Ele compra por um preço e vende mais caro, tirando daí o seu lucro. Isto é o que nos parece à primeira vista, mas, se estudarmos mais esse problema, e se nos recordarmos de que o preço oscila acima ou abaixo do valor da mercadoria, e que a soma do valor cm circulação não pode aumentar pela circulação desses valores, verificaremos que não acontece o que superficialmente nos parece.

Se temos entre nós diversos objetos que trocamos, alguns de nós poderão sair mais ou menos favorecidos, mas a quantidade de objetos não aumentará. O que beneficia a um, prejudica a outro. Se a troca produzisse valores, não seria necessário trabalhar.

Além disso, se na troca, na venda, estivesse a razão do lucro do comerciante, como o comerciante é comprador (do atacadista) e vendedor (à freguesia) ao mesmo tempo, uma tiraria do outro o lucro, lucro este, que seria sempre igual. Por mais que se troquem mercadorias (e o dinheiro é também uma mercadoria), a quantidade de valor contida em cada uma e no no conjunto delas não variará.

★ ★ ★

Suponhamos que o Sr. Z obrigasse suas costureiras a produzirem o dobro do trabalho, de maneira que, em vez de 10, produzissem 20 vestidos por dia.

O Sr. Z receberia agora não só Cr$ 90,00 (10 vestidos a Cr$ 9.00 cada um), mas sim Cr$ 180,00 (20 vestidos a Cr$ 9,00 cada um). As despesas que eram de Cr$ 50,00 aumentariam para Cr§ 80,00, pois gastou mais materiais para a confecção. Desse modo, restaria de lucro ao Sr. Z o seguinte: Cr$ 180,00 — Cr$ 80,00 — Cr$ 100,00. Isto é, o fato de fazer trabalhar mais as operárias fez aumentar os lucros do Sr. Z.

Suponhamos que o pessoal do Sr. Z se declare em greve. O Sr. Z já não ganhará os Cr$ 100,00 por dia e protestará contra as operárias ingratas que se rebelam apesar dele lhes dar trabalho, "dar-lhes meios para poder viverem".
De onde provem o lucro?
Já vimos que o lucro não provém da troca. Havia uma maneira de consegui-lo: arranjar uma mercadoria que, sem trabalho algum, se reproduzisse por si só.

Procuremos essa mercadoria: serão as sementes?

Não. As sementes não se reproduzem por si sós; é preciso arar a terra, semear e proteger as sementeiras, regar e colher; são necessários os peões, os instrumentos de trabalho; seria preciso pagar o arrendamento da terra, etc., etc.

Seria por acaso o gado? Podemos dizer a este respeito o mesmo que já dissemos sobre as sementes; é necessário cuidar dele, alimentá-lo, curá-lo, pagar o arrendamento do campo, onde ele pasta, etc.

Então, de que mercadoria se trata?

Já vimos que existia uma mercadoria "ingrata", que deu um desgosto ao Sr. Z: a força de trabalho de seus operários, que o Sr. Z pagou com salário. E vimos que, quando o pessoal do Sr. Z se declarou em greve, este senhor não recebeu nem Cr$ 50,00 nem os Cr$ 100,00 de lucros, diários, da mesma forma que não contribuiu para que ela subsistisse.

E é precisamente aí que se encontra a fonte de lucros. O Sr. Z paga aos seus operários o preço de sua força de trabalho, mas este salário é determinado pelo seu valor, isto é, o custo das mercadorias necessárias para que o operário reponha suas forças gastas no trabalho, recupere as suas energias.

Entretanto, o operário produz com a sua força de trabalho mais valor do que o que recebe para restaurar a sua força de trabalho, e esse sobre-valor, mais-valiaé aproveitado pelo capitalista, beneficiando-se este do fato de ser o proprietário dos meios de produção, propriedade que é garantida pelas leis e pela sua coaçãoa força policial, o Estado burguês.

O Sr. Z tem um parceiro. É o comerciante X, que se encarrega de trazer a clientela e de colocar os produtos do industrial Z.

Além disso, o comerciante paga os produtos fabricados pelo industrial Z, antes de havê-los vendidos. Por esse motivo, em vez de cobrar Cr$ 9,00 por vestido, o Sr. Z cobra apenas Cr$ 8,00, deixando de ganhar Cr$ 20,00 por dia, que são embolsados pelo Sr. X. Mas já vimos que os Cr$ 80,00 do industrial Z e os Cr$ 20,00 do comerciante X, são originados do sobre-valor criado pela classe operária, a mais-valia.

★★★
O Sr. Z quer abrir uma nova fábrica. Pede Cr$ 10.000,00 a um Banco e este empresta-lhes com 5 % de juros, sobrando, no fim do ano, Cr$ 10.500,00.

O Banco emprestou essa soma de um Sr. R, a quem deu, pagando um juro de 5%, a quantidade de Cr$ 10.400,00, no fim do ano. Assim, o Banco ganhou Cr$ 100,00, o Sr. R ganhou Cr$ 400,00 e tudo foi pago com os Cr$ 500,00 do Sr. Z, cruzeiros esses que são uma parte do produto da mais-valia obtida de seus operários.

Alguém, entretanto, poderia pensar: "Não, a mais-valia é obtida pelo senhor Z de seus clientes, que lhe pagam os vestidos". Mas tal não se dá porque os clientes pagam um vestido que representa trabalho materializado.

O industrial ou o comerciante podem cobrar mais pelos vestidos, isto é, preço muito acima de seu valor, mas, neste caso, o industrial obtém a mais-valia dos operários e ainda um lucro suplementar, resultante da mistificação que sofreu o consumidor.

Lembremo-nos que o lucro do capitalismo não é consequente das trocas, porque
"a soma dos valores em circulação não poderia evidentemente ser modificada por sua repartição, assim como um judeu não aumentaria à massa de metais preciosos de um país, vendendo por um guinéo um moeda de cobre do tempo da rainha Ana. O conjunto da classe capitalista de um país não pode enganar-se a si mesma". (Carlos Marx, O Capital, t. l.°, pág. 185).
★ ★ ★

O industrial Z não fica com toda a mais-valia obtida de seus operários. Como não vende a mercadoria diretamente, uma parte dessa mais-valia (que é o trabalho suplementar não- pago ao trabalhador) é aproveitada pelo comerciante, uma outra parte pelo dono do local onde o industrial tem a fábrica e que recebe uma renda, uma terceira parcela pelo Banco que empresta dinheiro ao Sr. Z, que paga a sua dívida aumentada com os juros, etc.

Com isso já se pode ter uma ideia de como a mais-valia se reparte entre toda a classe capitalista.

A Etiópia Socialista



Etiópia é um país africano cujo território, segundo descobertas paleontológicas, se localiza a aparição do homo sapiens, constituindo o assentamento humano mais antigo na Terra e um dos poucos estados que não foi parte de um império colonial com exceção dos 5 anos que esteve sob a ocupação da Itália fascista de Mussolini. Em 1974, um golpe de Estado por uma parte do exército com o apoio de sindicatos e organizações populares, derruba a monarquia feudal do imperador  e fanático religioso Haile Selassie, que mergulhou o país em analfabetismo, subdesenvolvimento e inanição, com a existência inclusive da escravidão nas terras dos proprietários.

Após a proclamação da República Popular, e uma série de expurgos ante às pretensões de alguns comandantes militares de alta patente em manter sua antiga hegemonia, o tenente-coronel Mengistu Haile Mariam, líder do movimento DERG reconduz a situação para a organização de um estado socialista, se nacionaliza o banco e várias empresas, nacionalizaram as minas e as terras, sendo redistribuídas promovendo cooperativas agrícolas, uma campanha de alfabetização em massa foi empreendida deslocando milhares de voluntários técnicos e estudantes para as áreas rurais, criando conselhos populares de educação, produção e defesa, nas cidades se organizaram os “kebeles”, comitês populares territoriais semelhantes aos sovietes russos, para o desenvolvimento da democracia popular, gerando uma mobilização massiva do povo a âmbito nacional e uma ressurreição moral, do que até então era uma sociedade inerte, que dará honra ao nome da capital do país “Addis Ababa”, que no idioma amárico significa “Nova flor”.

A partir de então, rompem relações com os Estados Unidos, expulsando o pessoal diplomático e militar e se proíbem várias de suas instituições culturais estabelecidas no país, que serviam como uma cobertura para a divulgação de propaganda e o recrutamento de agentes, e posteriormente começam a firmar tratados de cooperação com a URSS, Cuba, Líbia e a República Popular Socialista de Yemen do Sul.

As forças reacionárias não tardaram a começar a criar uma resistência organizada ao novo estado de coisas, com financiamento e assessoramento dos EUA, Inglaterra, Itália, e ditaduras feudais como Arábia Saudita, e isto se materializará no assassinato de dirigentes sindicais, atentados terorristas contra membros do governo popular, a queima de plantações e armazéns, sabotagem a cooperativas, tentativas de golpe, bloqueio econômico internacional dos países imperialistas, impedindo a venda de matérias-primas ou peças de reposição e instigação de conflitos étnicos e territoriais para promover a divisão e estrangular o país.

Estas tensões nacionalistas, particularmente com os independistas da Eritreia, que seriam utilizados pelas potências ocidentais para cortar a saída ao mar da Etiópia, acabaram desembocando em um longo enfrentamento armado, tendo a Somália se somando a ele, que tentou invadir a região Etíope de Ogaden com apoio norte-americano, e como se isso não bastasse, também surgem diferentes guerrilheiros mercenários e alguns grupos terroristas esquerdistas, manipulados e infiltrados pelo imperialismo para desmembrar o país, que por 20 anos enfrentou uma guerra permanente em suas fronteiras e no front interno. Não obstante, o país recebera ajuda da URSS, Bulgária, Líbia, Coreia do Norte, Yemen e especialmente Cuba, que durante a invasão somali enviou uma missão militar internacionalista, dos quais mais de uma centena de voluntários caíram em combate, um deles Orlando Cardoso Villavicencio, capturado e preso por 11 anos em uma prisão da Somália.

Em 1990, junto à queda do Bloco socialista na Europa, a experiência etíope veria seu fim, Mengistu seria derrubado em um golpe armado e acabaria se exilando no Zimbabwe, enquanto o território de Eritreia se tornou definitivamente independente. Hoje os amargos frutos da chegada da “democracia” burguesa e a adoção do sistema de “livre mercado”, se manifestam no novo crescimento dos índices de analfabetismo e pobreza, que haviam sido varridos pela revolução.


Texto publicado no site Primera Linea
Tradução de Gabriel Duccini

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terça-feira, 25 de outubro de 2016

O papel da economia regional como propulsor do desenvolvimento.

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Desenvolver e intervir na economia regional representa um passo importante para a retomada do desenvolvimento econômico e social no âmbito nacional.

Um planejamento central sobre o pais e seus projetos não pode deixar de lado aspectos fundamentais que por vezes passam despercebidos.

É a dialética atuando como um duplo fio condutor do nacional para o regional e vice-versa. Nesse caso a economia regional pode cumprir um papel de maior relevância do que em tendo na maioria das administrações governamentais, seja as estaduais ou municipais, contribuindo de forma coordenada e decisivamente para o pais com um todo.

Quando se cria pequenas e médias cooperativas e empresas em bairros mais afastados dos grandes centros, geralmente periféricos, além dos empregos locais, também reduzem os traslados que milhares de pessoas são obrigadas a fazer para trabalhar, atravessando a cidade (ou mesmo indo para outros municípios).

Por consequência o tempo de deslocamento é diminuído drasticamente, chegando a ser eliminado na maioria das vezes e o trabalhador se desgasta menos diariamente com essa rotina.

Outro fato desse circulo vicioso (positivo) é a melhora da economia local. Os comércios terão mais vendas, a população podendo consumir nos seus próprios locais de moradia (o que aumenta seu poder de compra, pois não está nos grandes centros).

Poucos políticos apostam nesse tipo de proposta, sempre querem atuar da maneira mais ampla possível, e por vezes, esquecem que uma boa saída pode estar mais próxima do que imagina.

Claro, para que essas ações sejam feitas corretamente deve existir um Estado na linha de frente. Não só coordenando essas ''micro'' intervenções de cunho estratégico, mas diretamente com o auxilio financeiro.

Não será o ''deus mercado'' o fomentador da recuperação econômica, dos empregos e muito menos da qualidade de vida da população trabalhadora do nosso pais. O fornecimento de crédito a juros baixos e que comprometa o mínimo necessário à renda do individuo é a chave mestra dessa iniciativa.

Em conjunto com o Estado, as milhares de ''células'' regionais irão se transformar numa grande rede interligada que atuarão como um relógio nos setores produtivos e comerciais do pais. Num município apenas, por exemplo, pode ser a interligação econômica dos bairros periféricos e mais afastados ao centro mais desenvolvido.

Nota:Sobre o aumento salarial e o poder de compra

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O aumento salarial também pode ser considerado, mesmo que não de forma ortodoxa, a diminuição dos custos de vida em determinado país.

Por exemplo: Seu salário pode continuar sendo 880,00 reais, porém se o custo com a luz, água, transporte e moradia reduzirem pela metade, seu poder de compra e consequentemente de consumo aumenta.

Isso é positivo para quem produz e comercializa, porque os estabelecimentos grandes ou pequenos aumentarão as vendas, já que houve um aumento do poder de compra médio, ao mesmo tempo em que a inflação não será afetada.


Nota: Sobre o desenvolvimento econômico e social


É possível separar em duas partes o desenvolvimento e os investimentos econômicos de um país.

1) O desenvolvimento econômico

O desenvolvimento econômico está ligado à industrialização e produção, ou seja, não só a criação de indústria, mas ao aprimoramento tecnológico tanto na cidade quanto no campo que gera o aumento de produção, exportação, a diminuição da importação e a ampliação e variação de bens duráveis e não duráveis. E consequentemente o aumento do PIB.

Para produzir o desenvolvimento econômico é necessário fazer o investimento produtivo.

2) O desenvolvimento social

O desenvolvimento social é tudo que eleva a condição educacional, cultural e de bem-estar da população. Ou seja, escolas, universidades, teatros, cinemas, entre outros.

Para que o desenvolvimento social seja produzido, é necessário o investimento improdutivo.

O investimento improdutivo denominasse dessa forma porque não está ligado diretamente no aumento da produção ou industrialização do país, criação de indústrias e aprimoramento tecnológico. E sim, nas questões sociais da população que não obrigatoriamente podem trazer retorno produtivo.

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Nota: Sobre a economia fascista

























Inicialmente o fascismo não tinha qualquer programa econômico para governar, muito menos um projeto de intervenção do Estado na economia.

Inclusive, sequer existia concretamente um plano politico claro dos objetivos a curto, médio e longo prazo, caso conseguissem o poder, isso ocorreu não só pelas contradições internas, mas também por problemas de ordem organizacional do então grupo dos conhecidos ''camisas negras''.
É possível exemplificar de maneira simples essa questão num trecho retirado do discurso do próprio Mussolini, então eleito para seu primeiro mandato como deputado do Partido Nacional Fascista em 1921.

Vejamos o que ele diz:

''O Estado deve ser reduzido á forma mais simples. Deve ter um bom exercito, uma policia, uma organização judiciaria funcionando regularmente, uma politica exterior que consulte as exigências da nação. Tudo o mais deve ser relegado á atividade privada''
Ainda não havia qualquer programa concreto por parte do fascismo sobre a economia nacional. O projeto do Estado corporativo surgiu posteriormente em consequência de alguns fatores.
1)A crise econômica gerada pela guerra, e claro, o não cumprimento das promessas pelos parte dos aliados. Esse fato levou que durante o período entre 1919 á 1921 ocorressem problemas graves na economia, como o desemprego, principalmente dos combatentes que estiveram na guerra, diga-se de passagem, um dos motivos do surgimento do fascismo italiano. A insatisfação gerada pela situação, criou nos ex-soldados, cabos, capitães, uma revolta usada para fins políticos por agitados como Mussolini e de Gabriele D'Annunzio.
2) As greves gerais sistemáticas comandadas pelos socialistas,econômicas e politicas (chegando ao ponto de terem tido a possibilidade de conquistar o poder, mas pela capitulação de alguns lideres não terem dado o xeque-mate). Tais recuos também contribuíram para a ascensão do fascismo ao poder, pois deu força moral e ideológica para sua posterior reação contra as organizações operarias.
Esses acontecimentos forçaram o fascismo a formular um programa econômico de intervenção do Estado, e também de formar uma parceria entre o Estado e as empresas privadas para alavancar o desenvolvimento do pais. O fascismo também precisou controlar os sindicatos, tirar os socialistas de lá, para fazer a união forçada entre capital e trabalho.
O dito ''Estado corporativo'' funcionou como um ''New deal'' italiano, impulsionando obras públicas de infraestrutura para gerar emprego e com isso renda, ao mesmo tempo em que controlava os salários e proibia as greves, já que os sindicatos fascistas nada mais eram do que fachadas para o mantenimento da ordem vigente, e portanto, dos seus interesses politicos.